Mazombo

16, 17 e 18 de Novembro, às 20h e 30min
Teatro Goiânia

FOHAT CIA DE DANÇA APRESENTA MAZOMBO

A música e a poesia como ferramentas de construção da identidade cultural caipira metropolitana.

Balé MAZOMBO

Sentir saudade de quem nunca foi, dos lugares onde nunca esteve: a pedra fundamental desse espetáculo é a trilha sonora. Composta e produzida entre 2012-17, a música do Projeto MAZOMBO alicerça e inspira a construção das narrativas corporais propostas pela FOHAT COMPANHIA DE DANÇA. Nesse sentido, o espetáculo de dança contemporânea, dançado por doze bailarinos (8 homens e 4 mulheres), completa os significados contidos na música e na poesia, que por sua vez dizem respeito ao processo de construção da identidade cultural caipira metropolitana.

Vale acrescentar que o espetáculo tem classificação indicativa livre e destina-se ao público amplo. De toda forma, espera-se contemplar predominantemente a faixa etária que compreende jovens e adultos entre 15 e 65 anos de idade, de qualquer estrato social e orientação de gênero.

Ao entendermos a diversidade como fonte de riqueza cultural, assumimos automaticamente a preferência por um público abrangente, acreditando que sua diversificação contribuirá com o êxito do enriquecimento cultural da sociedade por meio do acesso à arte.

"Sentir saudade de quem nunca fui,
dos lugares onde nunca estive (...)"

Projeto MAZOMBO: a música e a poesia como ferramentas de construção da identidade cultural caipira metropolitana.

O Projeto MAZOMBO é uma iniciativa empreendida por músicos e artistas goianos, desde 2012, que têm por objetivo contribuir com o processo de construção da identidade cultural caipira metropolitana. Até o presente momento, o Projeto já registrou 2 álbuns, MAZOMBO (2013) e Guilda dos Burros (2017); e a peça musical "Culpa - uma suíte telúrica composta para dança e palco". O Projeto, enquanto grupo de músicos, já se apresentou em Goiânia e cidades do interior de Goiás. Em 2014, a canção Cabeça Calabouço foi premiada no Festival SESI Canta Cerrado; e, em 2017, a coreógrafa inglesa Nancy Osbaldeston usou a música "O homem da mandíbula torta", do Projeto MAZOMBO, para conceber uma coreografia, que apresentou-se no Choreolab 2017, um festival de coreografias experimentais do Balé Real de Flandres, realizado em Antuérpia (Bélgica).

MAZOMBO em pleno Goiás: fundamentos conceituais da obra

O termo "mazombo" designa uma categoria étnico-social do Brasil-colônia. Embora seja difícil precisar sua origem, supõe-se que o termo seja derivado da palavra mzungu, comum a vários dialetos africanos subsaarianos, que significa "estrangeiro"; e que tenha sido utilizado no Brasil, principalmente no Nordeste, como referência aos filhos de europeus e seus descendentes (mestiços ou não) nascidos na colônia. Nesse período histórico, em que a sociedade brasileira encontrava-se em seus estágios iniciais de formação, aqueles que não se encaixavam nas categorias étnico-sociais existentes eram "desterrados em terra própria", na célebre expressão de Sérgio Buarque de Holanda (Raízes do Brasil, 1936). O não-pertencimento é uma das marcas psicológicas inerentes à condição dos mazombos: não eram nativos autóctones, tampouco europeus de origem - quiçá de ascendência; e, fossem "mulatos", não se confundiriam com a escravaria importada da África. Por essa razão, o antropólogo Darcy Ribeiro classifica o Povo Brasileiro enquanto Povo Novo (As Américas e a Civilização, 1968), cuja primeira alcunha vulgar, supomos, foi a pecha de "mazombo".

O Brasil, Estado-nação independente, é um projeto mazombo cuja consolidação, ainda no século XIX, se deu sobretudo por obra do Imperador Pedro II, um "rei mazombo", nascido no Rio de Janeiro de pai português e mãe austríaca. Assim, que a construção da identidade cultural caipira metropolitana parta do mesmo princípio que caracterizava os mazombos pretéritos: o não-pertencimento. A dualidade campo-cidade existente na cultura goianiense é o ponto de partida para o desenvolvimento poético-musical do Projeto MAZOMBO, ao identificar nessa condição a origem de diversos contextos, comportamentos e valores que permeiam a vida na metrópole goianiense e que, ao mesmo tempo, remontam às origens rurais da cultura caipira.

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Informações e ingressos: Studio Dançarte 3251-9190 / 3215-5529

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